Lugar do Morto
Todos os Domingos à hora de almoço. Escrevo do lugar do morto. O lugar que nem eu nem niguém quer. De onde se vê tudo e não se chega a tempo de nada.
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“The Invite” (opens the original)
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— Então? Tás louca, como é que te atreves a deixar-me sozinho com eles? Deixa! Eu faço o que for preciso aqui na cozinha, mas fica tu com eles na sala.— Qual é o teu problema? O Rogério é tão tranquilo e a Vera tá sempre na boa. Relaxa.— Tranquilo? O gajo pensa que eu sou do Benfica e agora já nem consigo negar. Ele não sei porquê assumiu e agora já não dá. — O quê?? Mas basta dizeres que foi um equívoco. Que és do Sporting e pronto.— Sa
Acabou-se o pão (opens the original)
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Acabou-seO pão a rodar no gira-discos. Na casa de banho. No armário dos livros, entalado entre Saramago e Virgílio. acabou-se o pão ter que estar em todo o lado menos no lugar dele.AcabaramOs saltos em altura para a bagageira. As lutas de sumo comigo pela sombra dos chapéus na praia. Os assobios longos para o fim do Eduardo VII.SobraramFardos de pêlo nos corredores por esse mundo fora. Nos assentos dos carros. Nos parques por onde corremos de skate. Um tear de 10 mil metros de pêlo escuro.Mas nã
Zé (opens the original)
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- Ricardo.- Sim avó.- Quem é este senhor? O que é que ele faz aqui?O Alzheimer é como a reforma. Só contam certos anos de descontos. E se na reforma são os últimos, no Alzheimer são os primeiros. E o meu pai ficou de fora. Não chegou a nascer. E tal como não fez parte dos primeiros 22 anos da vida da minha avó, não fez parte dos seus últimos 5.- Sou eu, mãe. O Rui.Até aí afundada no cadeirão, vira-se finalmente para o meu pai e responde:- Lá estás tu Zé. Sempre na paródia.<div c
A minha avó morreu, finalmente. (opens the original)
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A minha avó morreu, finalmente.Já não podíamos mais. Nem ela connosco.Farta do nosso carinho. Das visitas no lar. Os olhares para o relógio. As desculpas para acabar o telefonema.Desligaram-lhe a luz e puseram-na num quarto escuro. Connosco lá dentro. Quatro filhos. Trinta netos. Vinte bisnetos. Ela cega. Nós sem ver nada.Versaofinal_da_minha_avo_v25_finalfinal_finalmesmo_finalissima.docx.Cinquenta almoços de domingo sob a premissa de que “pode ser a última vez que estamos todos juntos”. No meio
Tenho uma vizinha que é Bióloga (opens the original)
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A minha vizinha da frente é bióloga, mas tem um jardim que é uma desgraça.Meses após me mudar para esta casa, surgiu uma construção em frente à minha janela que me destruiu a vista do quarto. Antes vista o rio tejo maravilhoso. A ponte 25 de Abril. O padrão dos descobrimentos. Agora de frento para o meu quarto vejo uma casa. Branca. Rectangular. Igual a mil outras. Foi azar, mas é a vida. Passados uns dias conheci os donos:ela, sessenta anos, cabelo comprido cinza-pó, olhos profundos e cansados.
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