Cartas no caderno esquecido
Estas palavras são a decadência do meu corpo. O que você lê aqui está quase sem vida.
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Conto: Terra firme (opens the original)
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"Tsunami de grandes proporções é esperado e população é orientada a deixar as áreas costeiras" é o que diz a manchete do jornal de Vancovia. Depois dessa notícia, me preocupei com a Manoela, digo... o que será que ela está pensando em fazer agora? Ah, se eu pudesse segurar as ondas assim como suporto o mundo... Talvez você entenda, leitor, que Manoela reside justamente nas áreas costeiras, e sua casa receberia as águas de frente. Preciso conversar com ela; ficar pensando no que pode acontecer é
Conto: desencarnados (opens the original)
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A primeira palavra sempre é a mais sufocante. Ter que escrever: eu sinto sua falta, mamãe... dói-me o corpo todo. Talvez você me entenda, caro leitor: o luto é um torpor ridículo. Quando ele o consome, a vida toda vira uma casa abandonada onde até os fantasmas parecem ter ido embora.Olho para as minhas próprias mãos e elas parecem oco de madeira. Não há substância na pele de quem fica; viramos apenas um invólucro pesado que o vento arrasta de um cômodo a outro.<p style="text-al
Conto: a noite em que Kassandra voltou (opens the original)
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Ah! Alucinei e você não estava lá, mas doía como se estivesse. Preste atenção ao que vou lhe contar, leitor: tudo que vem da realidade me envergonha... tudo! Digo, a realidade é como chamar alguém pelo nome errado e, simplesmente, pedir desculpas a quem já não atende pelo nome que você conhecia.Acontece que namorei a Kassandra por muitos anos, e até hoje alucino-a. A colher, quando a pego, escorrega das mãos suadas sempre que penso em Kassandra. Ah, Kassandra... todo o amor é um excesso,
Conto da semana: uma noite em Vesperália (opens the original)
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Era uma noite formidável, dessas em que até um homem de luto se permite caminhar. Embora eu tenha sofrido perdas — veja bem, caro leitor... muitas perdas —, prefiro rachar a tristeza vendo que Deus me conforta despencando estrelas no chão. Quando saio a estas horas, pergunto-me: como pode a noite ser tão vasta? Por que entorpece tanto? Ah, a noite! Eu, que tantas vezes fui reles e solitário, hoje me vejo espantosamente bem. É que a vida parece tão abissal que, quando mergulhamos nela, perdemos o
Hoje a vida me pareceu insuportável (opens the original)
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O RENEGADODe súbito, uma tristeza que desaprendeo meu sorriso.Ah, que tristeza! Uma náusea percorrendominhas entranhas...— Por quanto tempo a vida vomita estaspunições na gente?As manias que tenho de deixar meus hábitospara os outros se sentirem inteiros...E eu? Renegam-me mais do que tudo!Falta-me ânimo no estômago,para que tudo o que vem da vidapossa ficar menos insuportável.
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